A grande dádiva de um mestre é ver o sucesso de seus discípulos e tarter está tendo esse privilégio ao ver seus pupilos alçando vôos dentro do cenário nacional.

Com mais de uma década de experiência nos decks e nos estúdios, o artista é hoje um dos nos nomes mais influentes do país quando o assunto é Techno. Somando lançamentos em labels gringas de grande calibre como D-Edge Records, Sphere Recordings, Not For Us, Prisma Techno e colecionando suportes de ninguém menos que Ritchie Hawtin, tarter decidiu abrir compartilhar técnicas e habilidades tanto nos decks como em estúdio, ajudando também no gerenciamento de carreira de novos profissionais.

A comunidade comandada por ele teve início no começo de 2020 e desde então oferece mentorias personalizadas para quem deseja ingressar na cena, bem como para artistas que tenham interesse em elevar o nível de conhecimento em produção musical, discotecagem e music business. 

Hoje a comunidade conta com 60 alunos e muitos deles já estão desfrutando de uma ascensão em suas carreiras, conforme ele nos conta nessa entrevista abaixo:

GRVE: Tarter, quantos alunos a comunidade possui nesse momento?

Hoje a comunidade possui mais de 60 alunos, destes, 25 de mentoria e os demais de outros cursos e treinamentos que venho disponibilizando nos últimos meses, como por exemplo o de lançamentos musicais, e o mais recente de planejamento artístico.

Quantas faixas seus alunos lançaram com seu apoio durante a mentoria?

Acho que foram mais de 40 músicas lançadas nesse pandemia, grandes artistas que estavam escondidos atrás de algumas incertezas e inseguranças.

Quais tiveram seu primeiro lançamento da carreira? E quais foram esses trabalhos?

HNGT, Maccari, Ceriani, Joao Rech, Digitus, JPDR, NZCO, Rafa Agostini, RTUR, Willnecker. Estes artistas lançaram tanto nas minhas gravadoras quanto em outras que, em conjunto, fizemos uma pesquisa de mercado e análise do perfil de cada para ter um match ideal.

Algum artista já conseguiu receber um suporte de peso?

Mesmo em pandemia, tivemos alguns suportes legais, e quando falamos em suporte, nao é somente a faixa ser tocada, e sim todo o processo, desde remixar algum artista foda até lançar em uma gravadora animal.

HNGT teve suporte do Victor Ruiz, Nevrau da Anna e do Wehbba, Lutgens lançou na gravadora que sempre sonhou, Maccari remixou e lançou na gravadora do Josh Wink, e já conta com suporte da Nicole Moudaber, são conquistas muito fortes pra quem tá apenas começando…

Quais os principais desafios que você tem percebido que seus alunos enfrentam no começo da carreira?

A grande maioria é a insegurança com seu trabalho. Vários produzem muito bem, mas tem medo de ouvir um não ou, por falta de informação, acaba tendo uma experiência ruim no envio de alguma demo na primeira vez, seja por não ter recebido alguma resposta, ou se lançou, a gravadora não ter feito um bom trabalho… então as inseguranças só aumentam.

Meu papel foi direcionar os artistas para as gravadoras certas, pensando sempre em que momento o produtor se encontra, não pulando etapas, seguindo o fluxo natural da evolução. Quando a maioria entende o patamar que se encontra e para onde deve caminhar, o caminho se torna mais leve.

De que forma os selos que você comanda, Urban Soul e Createch, abrem espaço para a entrada de seus alunos no mercado fonográfico?

Ambos tem uma identidade de mercado já formada, então, direciono para Createch os alunos que de alguma forma estão apostando na proposta do selo, que é criatividade e tecnologia, sem se prender a rótulos. Já na Urban Soul, focamos em techno e suas variações, e para lá mandamos os artistas que estão mais focados em produzir o bom e velho techno.

O que de mais valioso você percebe estar entregando para cada mentorado?

Eu acredito muito na autoconfiança, me preocupo em apontar as falhas e onde precisa melhorar, mas foco muito em potencializar as pequenas conquistas e os talentos de cada um, pois é isso que nos deixa mais forte para ter coragem de seguir em frente e evoluir como artista. A gente só vai alcançar novos patamares se perdemos o medo e entendermos onde podemos confiar.

Com as gigs voltando gradativamente, já tem sido possível posicionar seus alunos em lineups futuros?

Mesmo antes das pistas voltarem, de alguma forma consegui posicionar alguns artistas em eventos no formato bar, Nico Viana com gigs legais, RTUR no Terraza, sendo chamado outras vezes até, e agora, com a flexibilização, alguns alunos em pequenos eventos aqui pelo sul e também em São Paulo.

Alguma outra conquista marcante de algum aluno que você queira compartilhar?

De alguma forma consegui entender a dor e o maior sonho de cada aluno, hoje temos o Lipp, o Filipe, que além da Indica label, agora conta com sua gravadora e uma agência de bookings, a T3, que vai cuidar de alguns alunos meus. 

Já para outros alunos, a montagem de um live act, com o Tales, que sempre foi seu sonho, vem se tornando realidade. Para o João Rech, o sonho de fazer seu evento está cada vez mais perto. 

Com cada aluno, estamos conseguindo, pouco a pouco, realizar seus sonhos. E isso é o mais importante. 

Para saber mais sobre a comunidade acesse aqui.