Ser DJ vai muito além do que mixar duas músicas. Ser DJ é lidar com sentimentos, é despertar emoções e criar conexões com diferentes tipos de pessoas. Se engana quem entra nesse mundo pensando apenas na festa ou na diversão, DJ de verdade quer surpreender e emocionar. Hoje, porém, grande parte dos DJs vão além das cabines e também são produtores musicais, então como fazer para unir o melhor desses dois mundos e aplicar o conhecimento de estúdio nas suas produções para que o efeito na pista seja mais interessante?

Um dos artistas com experiência de sobra para falar do assunto é o catarinense tarter, que já soma quase 10 anos na cena, suportes de peso como de Richie Hawtin e apresentações memoráveis no Warung, D-EDGE e outros clubs prestigiados. Com tantas gigs no currículo e horas somadas de discotecagem, ele sabe muito bem que cada apresentação tem uma atmosfera diferente e que é possível sim produzir uma track já pensando no resultado que ela terá na pista.

“No estúdio, quando estou produzindo uma música que quero usar nos meus sets, eu paro e penso: onde ela se encaixa? Qual o melhor momento para tocá-la se eu fizer um set de 3 horas? Nessa reflexão, eu já imagino como eu posso otimizá-la, quais elementos eu deixo soando mais alto, quais eu minimizo, se quero mais tensão etc. É muito importante você estar consciente do que sua música é capaz de fazer na pista”, explica tarter. O que tarter falou acima diz respeito sobre o momento de mixagem, principalmente na pós-produção, onde ser experiente é um diferencial, mas na verdade o que conta muito é o feeling do produtor. “É importante deixar claro que a mixagem tem tanto um caráter científico quanto artístico, cada produtor pode ter uma linha de pensamento diferente, por isso é tão importante saber que efeito você deseja passar com determinada faixa.” No momento da mix é a hora de fazer o balanceamento dos elementos, perceber se os timbres estão coerentes e se eles foram uma boa imagem sonora. “Imaginar os elementos tocando em um soundsystem e a reação das pessoas com aquela variação do timbre faz com que o seu processo de mix fique mais humanizado, deixando mais coerente o encaixe dos elementos em seu arranjo e posteriormente na sua mixagem na pista.” Veja apresentação de tarter aqui. Tarter também explica que, quando discoteca, é interessante começar a mixagem após o drop principal, já que é nessa parte que está a maior quantidade de energia da música, afinal, até ali, você já mostrou tudo que ela é capaz e assim começa a entregar uma nova música para o público. “Muitas das minhas produções eu deixo em evidência o kick ou o snare, é uma preferência minha. Quando estou mixando uma nova música, já é possível mostrar que é algo meu que está entrando por ter essa variação de elementos característicos no início”, explica. Por fim, é válido dizer que tudo o que foi dito aqui são apenas dicas, mas não regras. Um produtor pode simplesmente produzir uma música porque teve uma ideia e quer executá-la, sem necessariamente utilizá-la na pista, ou mesmo pelo simples fato de externalizar seu sentimentos sem um objetivo final, apenas dando vazão à sua liberdade criativa. Mas se o seu objetivo é causar espanto na galera em alguma gig pós-pandemia, vale a pena você considerar essas dicas quando for produzir sua próxima track.

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